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(Lisboa, 30 de janeiro de 2026) Uma comitiva do Comando Mundo ConVzla — que organiza a diáspora venezuelana na luta pela liberdade; sob a liderança da Prémio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado — realizou, esta terça e quarta-feira, vários encontros com grupos parlamentares da Assembleia da República de Portugal. O objetivo foi instá-los a exercer pressão sobre o Governo português para que tome medidas efetivas que conduzam à libertação dos sete presos políticos com nacionalidade portuguesa atualmente detidos na nação caribenha.

A comitiva do Comando foi composta por cinco luso-venezuelanos: María Alejandra Rodríguez e Fernando Venâncio, filhos dos presos políticos Juan Rodríguez dos Ramos e Fernando Venâncio; Nohelia Álvarez, filha do ex-recluso luso-venezuelano Noel Álvarez; Ana Cristina Monteiro, representante do Comando em Portugal; e Pedro Antonio de Mendonça, coordenador do Comando Mundo ConVzla. Além de Rodríguez e Venâncio, o grupo apresentou os casos dos outros cinco cidadãos luso-venezuelanos sequestrados: Adrián de Gouveia, Jaime dos Reis, Pedro Fernández, Héctor Ferreira e Manuel Ferreira.

“O meu pai é o português que há mais tempo está detido, desde 2019. Foi levado de madrugada a um tribunal onde apenas o identificaram, leram-lhe as acusações e a sentença de 30 anos por um suposto magnicídio contra Nicolás Maduro. Não pôde dizer uma única palavra, tal como a juíza nunca conseguiu apresentar uma só prova. Nestes sete anos, só consegui comunicar com ele por cartas e, apenas uma vez, através de uma videochamada de cinco minutos”, relatou María Alejandra Rodríguez ao sair da última das seis reuniões.

Por sua vez, Fernando Venâncio contou que o seu pai, agricultor e comerciante que já foi vítima de várias expropriações no estado de Aragua, foi detido em agosto de 2024 pelo regime por, alegadamente, “financiar o terrorismo”. Tal como nos restantes casos: sem crime comprovado, sem provas, sem julgamento justo; apenas uma longa via de extorsões e sofrimento para toda a família.

Nohelia Álvarez sublinhou que o seu pai não foi libertado, mas sim excarcerado: desde que saiu de El Helicoide (o maior centro de torturas da América Latina), em novembro passado, tem de se apresentar de 15 em 15 dias num tribunal, está proibido de falar em público e proibido de sair do país. “O meu pai é político [coordenador nacional do partido Gente] e não pode fazer política, nem sequer vir aqui encontrar-se comigo”, acrescentou.

O grupo do Comando Mundo ConVzla apresentou aos vários grupos parlamentares uma série de iniciativas a serem impulsionadas, para que o Governo de Portugal realize gestões eficazes visando a libertação destas pessoas. Sobre o assunto, Ana Cristina Monteiro referiu: “Os presos espanhóis, italianos e alemães já saíram, mas os portugueses não. Vemos que houve gestões bem-sucedidas noutros países, mas não em Portugal. O Governo alega que o facto de os nossos presos terem dupla nacionalidade ‘complica a situação’, mas vários espanhóis e italianos também têm dupla nacionalidade. Além disso, estamos perante violações flagrantes dos direitos humanos, face às quais não se pode invocar a nacionalidade nem qualquer outra condição como entrave à ação”.

“A única forma de garantir a segurança dos portugueses e da rede consular de Portugal na Venezuela é com liberdade. E um dos passos indispensáveis para haver transição para essa liberdade, para a democracia, é a libertação dos presos políticos. Tal como os nossos antepassados contribuíram para construir a Venezuela moderna, hoje os venezuelanos — e especialmente os lusodescendentes e os portugueses que ainda residem na Venezuela — esperam que o Governo de Portugal e os políticos portugueses, incluindo os deputados, atuem; não só pela defesa de valores, mas também pelos interesses pragmáticos de Portugal”, comentou Pedro Antonio de Mendonça.

Concretamente, o Comando Mundo ConVzla entregou o resumo dos casos, as petições e as sugestões de iniciativas parlamentares aos grupos dos partidos CDS – Partido Popular (em reunião com os deputados Paulo Núncio e João Pinho de Almeida), Iniciativa Liberal (Mariana Leitão, Rodrigo Saraiva e Mário Amorim), Partido Social Democrata (Pedro Coelho e Vânia Jesús), Juntos Pelo Povo (Filipe Sousa), Partido Socialista (Emanuel Câmara e João Torres) e Chega (Francisco Gomes e Ricardo Regalla Dias-Pinto).

“Há uma sensibilidade profunda e genuína, e um alinhamento de todos os grupos políticos, de todo o espectro político português, relativamente ao tema Venezuela. Isto coloca a diáspora venezuelana — e em particular a residente em Portugal — perante uma responsabilidade acrescida de articular com todos eles, para que a nossa voz não só seja ouvida, mas conduza a ações concretas e firmes. Notamos uma oportunidade sem precedentes para que a política portuguesa se envolva de forma mais ativa na nossa situação, que também os afeta; pelos nossos profundos laços históricos e porque uma Venezuela livre e segura será oportunidade de investimento e benefício mútuo, em relações ganha-ganha, para o povo português”, concluiu de Mendonça.

#QueSejamTodos